terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Bitcoin a Moeda do Presente e Futuro

Ele é assunto na fila do almoço, em eventos, na televisão, em sites de investimento. O Bitcoin, a criptomoeda mais famosa do mundo, deixou de ser usada apenas nos submundos da internet, e passou a ser um dos investimentos mais comentados do planeta.
O motivo é sua valorização. A moeda valia 997 dólares no início do ano, chegou a 6.750 no início de novembro, bateu 10.000 dólares na última noite  e chegou a 11.300 na tarde desta quarta-feira.
Somente em 2017, o Bitcoin viu seu valor subir mais de 1.000%, o número de transações aumentou 55% e uma média de 30.000 carteiras digitais foram criadas por dia. A euforia se espalhou para outras moedas. O Ethereum, outra criptomoeda, passou dos 500 dólares e já acumula alta de 5.000% no ano.
De acordo com um relatório do banco Goldman Sachs, o mercado de criptomoedas valia cerca de 120 bilhões de dólares em agosto deste ano, com o Bitcoin correspondendo a cerca de 50% do total. Hoje, com a alta recente do Bitcoin, o valor já chega perto de 200 bilhões de dólares. Há mais de 800 criptomoedas, mas apenas nove têm valor total que excede 1 bilhão de dólares. Há cerca de 11 milhões de investidores em moedas no mundo.
Há cerca de um mês, o analista de investimentos da Empiricus Research, Felipe Miranda, afirmou que o Bitcoin é o tipo de investimento que é preciso ter, pois os ganhos podem ser astronômicos, o que minimiza o risco real de se perder tudo.
O investidor de risco americano Michael Novogratz, presidente do grupo de investimentos Galaxy, recentemente afirmou que a moeda pode chegar a uma marca de 40.000 dólares em dezembro do ano que vem. Para Novogratz, mesmo o Ethereum deve valer por volta do triplo da atual cotação no médio prazo. A Chicago Mercantile Exchange, a bolsa de Chicago, afirmou que deve começar a negociar futuros de Bitcoin até o final do ano.
A pergunta obrigatória é: pra onde vai o Bitcoin? Os apelos do Bitcoin são três: a escassez natural, já que o montante total de moedas é de 21 milhões de unidades, e uma nova moeda é dada para quem ajuda a criptografar operações na cadeia (atualmente existem entre 16 e 17 milhões de bitcoins disponíveis e o último deve ser minerado em 2140); o risco de as moedas fiduciárias perderem valor no longo prazo em uma época que Bancos Centrais compram ativos de governos para equilibrar cotações; e o apelo da anonimidade.
Para Philip Coggan, editor da revista The Economist e autor do blog Buttonwood, essas três razões explicam por que há alguma demanda pelo Bitcoin, mas não por que há tamanha demanda. “As pessoas compram Bitcoin porque elas esperam que outros comprem esses ativos delas a um preço maior. É a definição da teoria do mais tolo”, escreveu Coggan.
Ou seja: se as pessoas tentassem vender suas posições de Bitcoin de uma só vez, o preço iria cair e a fortuna iria secar. O próprio presidente do Banco Central brasileiro, Ilan Goldfajn, afirmou que trata-se da “típica bolha ou pirâmide que existem na economia há centenas de anos”.
Para Marie Owens Thomsen, estrategista-chefe Global do Indosuez Wealth Management, braço de gestão de fortunas do banco Crédit Agricole, o Bitcoin pode ser uma bolha e um investimento simultaneamente. “Creio que criptomoedas estejam aqui para ficar de alguma maneira ou de outra, embora o atual entusiasmo seja parecido com a corrida do ouro do século 19”.
Para Thomsen, não é possível mensurar o real valor do Bitcoin, mas ativos com um suprimento finito tendem à apreciação e a manter seu valor razoavelmente alto. Some-se isso ao excesso de liquidez no mundo, com taxas de juros baixas nas principais economias, e a explicação para o recorde do Bitcoin é parecido com a das obras de arte. Há duas semanas, um quadro de Leonardo Da Vinci, o Salvator Mundi, foi leiloado pelo valor recorde de 450 milhões de dólares.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Bitcoin


bitcoin é uma moeda, assim como o real ou o dólar, mas bem diferente dos exemplos citados. O primeiro motivo é que não é possível mexer no bolso da calça e encontrar uma delas esquecida. Ela não existe fisicamente, é totalmente virtual.
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O outro motivo é que sua emissão não é controlada por um Banco Central. Ela é produzida de forma descentralizada por milhares de computadores, mantidos por pessoas que “emprestam” a capacidade de suas máquinas para criar bitcoins e registrar todas as transações feitas.
No processo de nascimento de uma bitcoin, chamado de “mineração”, os computadores conectados à rede competem entre si na resolução de problemas matemáticos. Quem ganha, recebe um bloco da moeda.
O nível de dificuldade dos desafios é ajustado pela rede, para que a moeda cresça dentro de uma faixa limitada, que é de até 21 milhões de unidades até o ano de 2140.
Esse limite foi estabelecido pelo criador da moeda, um desenvolvedor misterioso chamado Satoshi Nakamoto — que, até hoje, nunca teve a identidade comprovada. 
De tempos em tempos, o valor da recompensa dos “mineiros” também é reduzido. Quando a moeda foi criada, em 2009, qualquer pessoa com o software poderia “minerar”, desde que estivesse disposta a deixar o computador ligado por dias e noites. 
Com o aumento do número de interessados, a tarefa de fabricar bitcoins ficou apenas com quem tinha super máquinas. A disputa aumentou tanto que surgiram até computadores com hardware dedicado à tarefa, como o Avalon ASIC.
Além da mineração, é possível possuir bitcoins comprando unidades em casas de câmbio específicas ou aceitando a criptmoeda ao vender coisas.
As moedas virtuais são guardadas em uma espécie de carteira, criada quando o usuário se cadastra no software.
Depois do cadastro, a pessoa recebe um código com letras e números, chamado de “endereço”, utilizado nas transações. Quando ela quiser comprar um jogo, por exemplo, deve fornecer ao vendedor o tal endereço. As identidades do comprador e do vendedor são mantidas no anonimato, mas a transação fica registrada no sistema de forma pública. A compra não pode ser desfeita.
Com bitcoins, é possível contratar serviços ou adquirir coisas no mundo todo. O número de empresas que a aceitam ainda é pequeno, mas vários países, como a Rússia se movimentam no sentido de “regular” a moeda. Em abril deste ano, o Japão começou a aceitar bitcoins como meio legal de pagamento. O esperado é que até 300 mil estabelecimentos no Japão aceitem, até o final do ano, este tipo de dinheiro.
Por outro lado, países como a China tentam fechar o cerco das criptomoedas, ordenando o fechamento de várias plataformas de câmbio e proibindo a prática conhecida como ICO (initial coin offerings), uma espécie de abertura de capital na bolsa, mas feita com criptomoedas (entenda melhor).
O valor da bitcoin segue as regras de mercado, ou seja, quanto maior a demanda, maior a cotação. Historicamente, a moeda virtual apresenta alta volatilidade. Em 2014, sofreu uma forte desvalorização, mas retomou sua popularidade nos anos seguintes.
Neste ano, o interesse pela bitcoin explodiu. No dia 1° de janeiro, a moeda era negociada a pouco mais de mil dólares. No início de dezembro, já valia mais de 10 mil dólares.
Os entusiastas da moeda dizem que o movimento de alta deve continuar com o interesse de novos adeptos e a maior aceitação. Críticos afirmam que a moeda vive uma bolha — semelhante à Bolha das Tulipas, do século XVII — que estaria prestes a estourar.